Shape certo por linhas tortas

 Pranchas tortas podem dar certo, mas ainda dependem de muita experimentação.

Uma borda diferente da outra, de um lado swallow, do outro round, quilhas posicionadas como se o shaper que as colocou tivesse bebido, muito. Pranchas assimétricas. A ideia não é novidade, mas nunca decolou realmente. Mais por estranheza estética do que pela lógica. Ok, também deve rolar um problema comercial.

Diferente do que muita gente imagina, as assimétricas não foram feitas para surfar apenas para um lado. O cara mora em Jeffreys Bay e não precisa de uma prancha que surfe para a esquerda. Até desenvolveram modelos que tinham essa função, mas a verdade é que a ideia principal da assimétrica é fazer que ela seja tão funcional para o backside e frontside de um surfista.

Fique na ponta dos pés e se equilibre. Tranquilo, né? Agora fique só com os calcanhares no chão e tente a mesma coisa. Pois é, sobre a prancha você tem a mesma diferença de equilíbrio. A ideia de uma prancha assimétrica é te ajudar a lidar com isso. Toda a física mostra que você aplica diferentes forças e pontos de equilíbrio quando surfa para direita ou esquerda.

Ryan Burch e Donald Brink são os atuais nomes do “shape certo por linhas tortas”, mas antes deles já havia Carl Ekstrom, de San Diego. Ele pode não ter sido o primeiro a surgir com o conceito, mas foi o sujeito que, em 1967, patenteou a ideia. Por aqui, na última década, quem deu certa visibilidade às assimétricas foi Binho Nunes.

O que deu uma ajuda para o ressurgimento desse conceito foi a volta das fishes (clássicas). Essas pranchas, muito divertidas quando se surfa de frontside, podem dar muito trabalho para surfar de back. Por isso, ao criar no lado da prancha para onde apontam seus calcanhares, um outline mais curto, com mais curva no outline da rabeta, borda mais soft e rocker mais acentuado, você facilita o surfe de backside. Isso é o básico.

Há posicionamento de quilhas e, na verdade, todas as curvas da prancha que podem não obedecer a sempre buscada simetria. O lendário shaper Homero Naldinho, nos anos 70, ficava louco da vida quando alguém dava aquela passada de mãos nas bordas, conferindo se estavam iguais. Ele bronqueva: “Você surfa do mesmo jeito para os dois lados? Não, né!”. Conheço muitas pranchas mágicas que tinham quilhas “tortas”.

Todo mundo já teve uma prancha que surfa melhor para um lado do que para o outro e, teoricamente, ela era simétrica. Afinal de contas, não somos simétricos, logo, porque as pranchas devem ser? Creio que num futuro próximo a assimetria chegue a um ponto em que não se trate de aberração visual ou exageros experimentais. O conhecimento pode nos levar a assimetrias suaves, diferenças leves, que proporcionem uma prancha, personalizada, mais “perfeita” para cada um.

Legenda vídeo: Ryan Burch não tem medo de assimetria.

Fonte: Waves

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