Panton: plástico do encosto aos pés

Verner Panton (1926-1998) foi um dos talentos inovadores do século 20. Estudou arquitetura na Real Academia Dinamarquesa de Arte, em Copenhague, se formou em 1951 e, mais tarde, virou um pioneiro na criação de móveis que contrariam a gravidade.

Isso foi possível graças ao surgimento de um novo material: o plástico. Verner era um apaixonado por esse polímero e por sua capacidade de ser moldado em qualquer formato. Foi com base nessa ideia que ele construiu sua fantasia: projetar uma cadeira feita de uma única peça de plástico.

O sonho só saiu do papel em 1967, mas foi apresentado pela primeira vez em 1957, quando o designer iniciou o desenvolvimento da Panton em colaboração com a Vitra. Foram vários anos de pesquisa, testes e projetos descartados até chegar à forma final da cadeira. As séries iniciais foram feitas de poliéster reforçado com fibra de vidro prensada a frio. Mas esse material mostrou ser pouco resistente ao envelhecimento e às mudanças de temperatura. Por isso, a produção foi interrompida em 1979. Somente nos anos 1990 Panton e a Vitra retomaram o projeto, quando eram visíveis os avanços na tecnologia de produção de plásticos e de novas opções de moldagem. Em 1999, um ano após a morte do designer, um de seus principais objetivos foi alcançado: a cadeira de plástico se tornou um produto acessível.

Escritório da arquiteta Karen Camilotti, mesa Knoll e cadeiras Panton. Escritório da arquiteta Karen Camilotti, mesa Knoll e cadeiras Panton.

Escritório da arquiteta Karen Camilotti, mesa Knoll e cadeiras Panton. (Marcelo Curia/Revista CASA CLAUDIA)

Confesso que sempre me interessei por essa peça. Acho incrível o formato dela e sempre me questionei como alguém poderia sentar nela e não cair. Ao primeiro olhar ela não parece ser muito confortável, mas justamente por ser feita de um material levemente flexível como o plástico, ela traz muito conforto. Além disso, todas as suas medidas, ângulos e linhas foram pensadas para que o corpo se adapte e se encaixe. É como se você fosse abraçado pela cadeira.

Em 2017 a peça completou 50 anos. Para comemorar, a Vitra lançou uma versão especial chamada Panton Chair Sunlight, disponível no showroom brasileiro. Atualmente ela integra o acervo de design do Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA.

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